O tabagismo é a principal causa de enfermidades evitáveis e incapacitantes prematuras. Atribui-se ao
uso do tabaco 30% das mortes por câncer em geral, 90% para o câncer de pulmão, 25% das mortes por
doença coronariana, 85% por doença pulmonar obstrutiva crônica e 25% por doença cérebro-vascular.
Atualmente, uma terça parte da população mundial de 15 anos ou mais é fumante; destes, estima-se que
morrerão em decorrência do fumo 500 milhões de pessoas, sendo a metade delas, hoje, ainda criança ou
jovem. Cerca de 90% dos fumantes adultos tornam-se dependentes da nicotina até os 19 anos. A indústria
do cigarro, conhecedora do potencial de mercado, direciona seu marketing principalmente para esta faixa
etária assim como para as mulheres. Estudo nacional corrobora este aspecto mostrando que do total de
aproximadamente 30 milhões de adolescentes entre 10 e 19 anos, 2,7 milhões eram fumantes. Em pesquisa
que realizamos no Rio Grande do Sul, o percentual de fumantes entre os adolescentes foi de 12% e
a prevalência de tabagismo entre 17 e 19 anos foi de 26%. Em outros países da América do Sul constatase
prevalência de tabagismo na adolescência de cerca de 30%. As conseqüências do tabagismo passivo
também devem ser ressaltadas. O cigarro está presente em grande percentual dos domicílios, como se
observa no artigo de Luiz Antônio Del Ciampo publicado na presente edição de Pediatria (São Paulo). O
efeito sobre o feto, como o baixo peso ao nascer, é bem documentado, com repercussão importante na
morbi-mortalidade neonatal. Há evidências científicas mostrando associação com a síndrome da morte
súbita na infância, exacerbação de asma na criança, infecções respiratórias e, em adultos, o aumento do
risco de câncer de pulmão e doença coronariana. Sendo assim, pediatras, clínicos, pneumologistas e
profissionais ligados à área da saúde têm o dever de direcionar esforços para promoção da saúde destes
grupos em potencial risco. O maior impacto que se pode ter hoje, em relação à saúde pública, é prevenir
que crianças e adolescentes adquiram o vício de fumar.
Algumas indagações referentes a esse tema são inquietantes. Por quê, apesar de todo conhecimento
científico existente sobre esse assunto, milhares de jovens ainda adquirem esse vício?
O tabagismo na adolescência pode ser compreendido se considerarmos o espírito de experimentação
do novo e de contestação, a identificação com seu grupo, o fácil acesso à droga e o estabelecimento da dependência à nicotina num curto espaço de tempo.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
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